segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

angra do heroísmo

marte em leão foi a desculpa suficiente para arrancar todos os pudores de você?
era um argumento muito frágil e você foi fácil... caro meu, sei bem que dói nos olhos ver tua beleza resplandecendo, mas ser belo não é o suficiente...
Adônis jazia nos braços de Vênus.
o amor adolescente entregue aos carinhos inúmeros, o ciúme rompendo o véu tênue dos lábios semicerrados: o silêncio precioso quase perdido.
a agonia do sol.
...
você continha a piscina azul turqueza em que mergulhei no dia mais quente. você tinha a cama em que eu deitei. você possuía o vinho que quis beber. você tinha a verdade que eu queria ouvir e o bem que eu queria sentir.
e o medo do qual pensava fugir...
o abraço indesejado por saber que um dia doíria...
seus afetos mentirosos. olhos rasos que se despediram de mim, tua mão seguiu a estrada e em tardes de verão, antigas, as despedidas foram breves, estendidas ao vento.
...
beleza não basta quando quando amor é o que se quer.
falar não é o suficiente.
doer não sublima.
o que importa é o entendimento sereno.
o reencontrar dos caminhos da felicidade vindoura: na qual não se cria mais!
...
sobre a pele beijos. sobre os olhos contentamento. nos pensamentos beleza. 
no coração vanidade.
quando o que se quer e o que se faz distanciam-se deixar a Terra em direção ao Olimpo pode ser uma solução. no entanto, ficar e enfrentar a Medusa resulta mais heróico.


sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

vetado

pus meus sonhos guardados dentro de caixas hermeticamente fechadas e deixei-os lá por muito tempo. até me esquecer da existência daquelas vontades.
em determinado dia, de sobressalto, vi que estava empilhando caixas velhas e que aparentemente não faziam sentido em estar ali. fui me desfazendo de todas. porém, acumulava novas, que faziam menos sentido ainda.
quando uma caiu e revelou seu conteúdo: ouro, apenas ouro puro! e eu não recordava...
comecei a abrir as caixas. as novas estavam vazias e havia sobrado poucas antigas: ainda poderia salvar um pouco do que possuíra...
meu ouro, meu sonho, meu ideal... seja lá o que era aquilo, as novas não possuíam tal conteúdo. mas todas se assemelhavam.
a decisão de encaixotar sonhos foi vetada.
agora eles vão tomar outras formas.
não de caixas, mas de gente com o conteúdo que encaixotei.


sexta-feira, 18 de novembro de 2011

A maior parte de nossa vida não vai ser compartilhada.
Nosso mundo, nós "em si mesmos" estamos lá no fundo, guardados muitas vezes para nós próprios.
Quando dizemos, alegamos, afirmamos nossa desculpa perante alguém e reconhecemos dizer a verdade, nos despimos; nos descobrimos (no sentido de "tirar a cobertura").
Mas quando o outro não crê ser o que foi dito a realidade do que se passou conosco?
Não podemos pretender entedimento. Jamais. Mas ao menos compreensão é devida!
Cada pessoa um mundo. Verdade. Mas não são mundos intangíveis, irreais. Estão lá, constituídos na 'alma', gravados na pele, visíveis nos olhos.
Por isso não peço entedimento. Peço compreensão.
Somos completos, únicos, mas passíveis de acréscimos, de diminuição, de compartilhamento, de melhoramentos...
Quando dizemos algo e não escondemos realmente, a dúvida alheia é cruel.
No entanto, suportável.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Aviso aos Navegantes - II

escrever sem romantismo, sem melodramas: estava aí o meu objetivo. sim, essa postagem é, em termos, "autobiográfica". quando me propus a reinventar meu catálogo temático excluí, de pronto, a idéia persistente de escrever sobre amor, paixão, desencontro, histórias que envolviam sentimentos (um pouco) mais profundos.
hoje, mais de um ano depois, reconheço o meu fracasso. logo desandou tudo o que me propus. escrevi, e está lá registrado e publicado, linhas sobre o que não deveria ter escrito.
mas... como não haveria de escrever se foi exatamente isso que vivi?
minha experiência 'literária' é intrínseca ao que vivo, logo escrevi tudo. tudo...
ou seja, uma puta merda!
continuarei nessa trilha, agora sem mais proposições impossíveis.
mas faço a ressalva de que não são todas as postagens que revelam vivências. algumas, apenas.
e é isso!

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

prece

como uma prece, desfio minha prosa a você.
como uma prece profunda e sagrada:
reverencio tuas linhas desenhadas no vazio do espaço
e as venero quando próximas, na distância do nosso abraço.
é tanto que sinto e tão pouco que tenho - me frustra não poder esperar.
o tempo trai o sentido da ausência:
se prolonga desde a eternidade,
me prolonga até você e me lembra de mim.
sou eu, apenas eu.
uma prece a mim e que ainda não é.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

paradoxo

pode o meu coração traçar os paralelos que teus pés seguem?
podem os meus olhos buscar meridianos para ser teus guias?
no paralalelo 30º perdi o senso e no teu Trópico de Capricórnio havia desertos...
ainda procuro nuvens, selvas, oceanos e praias em teu corpo distante...
mãe de meus dedos desesperados,
pai de todas as marchas infindáveis,
me reconduz a ti,
me afasta de tua boca,
me aproxima do teu ventre que é eterno o meu desejo.
me empurra para os canions mais profundos,
quero os mistérios dos olhos cor do Caribe,
teu cheiro de almíscar inebria os desavisados.
quero para sempre a distância que nos estreita.