dançam
nas palmas das minhas mãos os reflexos das estrelas do teto do teu quarto.
deitados olhamos uma eternidade artificial com copos de vinho merlot
equilibrados em cima de livros velhos...
"vamos parar por aqui... é tarde."
lembro de escuridões por onde transitei e de coisas que não queria ter feito
pra hoje ser mais perfeito pra você. é inevitável viver e não quero me
arrepender de você.
o asfalto acaba passando, além de sobre a rua, por cima do coração. encerra em
algum lugar muito profundo uma idéia de quem se poderia ter sido.
os co(r)pos de plástico pelo chão. as carteiras de cigarro vazias pelos cantos.
as garrafas de conhaque barato. os energéticos desnecessários e os beijos
dentro das bolsas, com gosto de um centavo - metálicos, descartáveis. tudo o
que os meus livros velhos e manchados de vinho disseram pra eu não querer...
foi inevitável: vivi.
a cidade faz olvidar, inclusive do que não se quer.
livros não têm o mesmo gosto do que se proíbe.
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terça-feira, 8 de janeiro de 2013
sábado, 24 de novembro de 2012
sagração
atravessando
o teu deserto,
abaixo de teus abismos jazem olhos pretos como o sem fim do universo,
perdido ando neles como ando na luz da manhã morna de abril,
e assistindo as supernovas colapsarem e estrelas brotarem
na íris cor de breu,
penso em ser Rei de um país longinquo,
que confina com tuas espáduas,
e desce ao sul, até o início de tuas axilas,
e que tem os pelos mais finos e luzidios,
mais perfumados e a terra mais macia.
e a coroação, num momento de nudez,
seria em um dia de maio,
naqueles dias em que os jasmineiros se aviltam,
e que nossa pele freme,
e um beijo selaria o meu Domínio.
juraria defender-te dos ventos do sul,
e te amaria quando descesse o norte às nossas peles,
e nos campos de trigo te deitaria,
e como Rei, me ungirias a face com azeite de oliva,
com os dedos mais expressivos,
e com os olhos mais profundos,
olhando do fundo do meu Reino,
do qual seria eternamente servo e senhor,
me ungirias.
abaixo de teus abismos jazem olhos pretos como o sem fim do universo,
perdido ando neles como ando na luz da manhã morna de abril,
e assistindo as supernovas colapsarem e estrelas brotarem
na íris cor de breu,
penso em ser Rei de um país longinquo,
que confina com tuas espáduas,
e desce ao sul, até o início de tuas axilas,
e que tem os pelos mais finos e luzidios,
mais perfumados e a terra mais macia.
e a coroação, num momento de nudez,
seria em um dia de maio,
naqueles dias em que os jasmineiros se aviltam,
e que nossa pele freme,
e um beijo selaria o meu Domínio.
juraria defender-te dos ventos do sul,
e te amaria quando descesse o norte às nossas peles,
e nos campos de trigo te deitaria,
e como Rei, me ungirias a face com azeite de oliva,
com os dedos mais expressivos,
e com os olhos mais profundos,
olhando do fundo do meu Reino,
do qual seria eternamente servo e senhor,
me ungirias.
terça-feira, 22 de maio de 2012
ode
cruas à mente,
vêm as idéias lúcidas
que o amor sussurra
cúpido, voraz, sensual, mortífero.
e são tão inefáveis,
tão flamejantes e vermelhas,
naquelas lágrimas soluçadas
andam abraçadas ao fim.
e fantasmagóricas perambulam
ao redor de teus olhos
e de tuas mãos fazem cais
e velejam pelos ares noturnos
e pelos corpos nus das camas alheias
brindando as idas intermináveis.
cantando odes à ausência.
terça-feira, 27 de setembro de 2011
ao meio dia
teus lírios em minhas mãos
como grandes juncos que se mexiam na lagoa
o vento do sul te trazia aos meus dedos
e o sal do mar cortava meus lábios:
eu te trazia sobre meu peito,
ardendo, inflamado por noites sem dormir.
teus pesadelos desenhavam caracóis no meu cabelo,
e quando eu buscava o teu beijo: rejeição.
vem! que ainda há tempo
fecha a ferida de sangue,fecha meus olhos, vem!
abre meus poros pra ti.
não importa a distância,
importa meu peito que te quer
importa que minha pele te precisa.
como grandes juncos que se mexiam na lagoa
o vento do sul te trazia aos meus dedos
e o sal do mar cortava meus lábios:
eu te trazia sobre meu peito,
ardendo, inflamado por noites sem dormir.
teus pesadelos desenhavam caracóis no meu cabelo,
e quando eu buscava o teu beijo: rejeição.
vem! que ainda há tempo
fecha a ferida de sangue,fecha meus olhos, vem!
abre meus poros pra ti.
não importa a distância,
importa meu peito que te quer
importa que minha pele te precisa.
quinta-feira, 14 de julho de 2011
ainda tens o sabre que ganhaste?
vamos! vamos! aponta em direção ao continente!
vamos conquistar a terra!
pega também aquelas fotos do baú,
vamos fazer de barco as memórias nelas...
grita 'terra à vista!'...
vamos à proa, subamos à gávea...
desfraldemos as velas... mais rápido, mais rápido!
precisamos chegar ao nosso futuro!
precisamos das nossas fotos,
das nossas armas de saudosismo,
grita que a terra é nossa!
tenhamos ganas de pisá-la!
aponta também o nariz aquilino naquela direção!
aponta o dedo, em riste, e tracemos os contornos dos montes!
vamos que agora a terra é nossa!
onde está o teu sabre?
onde estão as tuas fotos?
onde estás tu?
vamos! vamos! aponta em direção ao continente!
vamos conquistar a terra!
pega também aquelas fotos do baú,
vamos fazer de barco as memórias nelas...
grita 'terra à vista!'...
vamos à proa, subamos à gávea...
desfraldemos as velas... mais rápido, mais rápido!
precisamos chegar ao nosso futuro!
precisamos das nossas fotos,
das nossas armas de saudosismo,
grita que a terra é nossa!
tenhamos ganas de pisá-la!
aponta também o nariz aquilino naquela direção!
aponta o dedo, em riste, e tracemos os contornos dos montes!
vamos que agora a terra é nossa!
onde está o teu sabre?
onde estão as tuas fotos?
onde estás tu?
domingo, 1 de maio de 2011
ele sabia do ácido do teu beijo
que beijaria aquela noite
depois da aspereza do meu afago
do desespero das minhas miradas
caídas pelas escada
roladas pelas saídas de emergência
cruzando ruas meus gritos
de adeus. de adeus.
aonde você vai?
onde colocou o último copo de vodca?
se deixou tudo por ele,
porque não faz também tudo?
e onde está é onde você acaba,
e os pés sabem da distância até o futuro,
aquele que te levará dele a mim...
que nos levará longe de todos.
vem que meu beijo também é ácido.
como o teu.
que beijaria aquela noite
depois da aspereza do meu afago
do desespero das minhas miradas
caídas pelas escada
roladas pelas saídas de emergência
cruzando ruas meus gritos
de adeus. de adeus.
aonde você vai?
onde colocou o último copo de vodca?
se deixou tudo por ele,
porque não faz também tudo?
e onde está é onde você acaba,
e os pés sabem da distância até o futuro,
aquele que te levará dele a mim...
que nos levará longe de todos.
vem que meu beijo também é ácido.
como o teu.
sexta-feira, 7 de janeiro de 2011
repristinação - texto antigo I
anunciação
era um sonho dentro de outro. havia algo de profético e de insano, afinal ambos se confundem no mais das vezes. da terra árida brotavam galhos contorcidos de uma árvore desconhecida e o céu era profundamente azul. cheirava o ar, suspenso, quente, a pó. como se tudo houvesse iniciado naquele instante e dos montes próximos descido pela própria mão de algum Deus o Homem que era.
dos dentes nascidos dos seixos e das mãos nascidas do firmamento, pelos poros fartos de suor gritavam, em êxtase, os sinais da revelação. Homem que desde a eternidade se estendia ao grão mais minúsculo de pó!
descendo da montanha se fez a si, sem ter se procurado. a serpente o reconheceu, o chacal o saudou, a águia o nomeou...
e em mil arraiais perdidos perambulando solitário, abrindo sendas, tinha o poder da transmutação aprendido com os alquimistas que não mais existiam e que viviam dentro de si. e à imitação do cacto só sabia ferir os que chegavam...
e no caminho encontrava sua casa de taipa e sapê, leito raso com travesseiro de palha: o dormir ali já produzia sonhos emaranhados como os cabelos de quem havia amado uma vez... encontrar-se divagando em um dia, à noite, solto em um mundo sem cercas e tapumes!
mais adiante, sentou-se à porta do fundo da tapera. mirava o sol, com a mão em concha sobre os olhos. o sol a sua frente serpenteava, e subitamente começou a tomar formas humanas. aos poucos vinha um corpo alado descendo suavemente em sua direção e o cheiro de pó se dissipava substituído pelo de mirra. as árvores retorcidas contorciam-se em uma dança elegante e lenta.
o anunciante portava espada em uma mão e uma trombeta em outra e mirava nos olhos do Homem. dizia que era a primeira visita, a primeira e haveriam mais duas: os cabelos ardentes esvoaçavam e não se sabia se havia sexo. a voz soava na mente e retrocedendo voltou ao sol, sempre mirando nos olhos...
sumindo o anunciante, se foi o Homem pelos montes caminhando e em uma noite se lembrou. carregava um trombeta que fez soar avisando ao povoado que chegava.
era um sonho dentro de outro. havia algo de profético e de insano, afinal ambos se confundem no mais das vezes. da terra árida brotavam galhos contorcidos de uma árvore desconhecida e o céu era profundamente azul. cheirava o ar, suspenso, quente, a pó. como se tudo houvesse iniciado naquele instante e dos montes próximos descido pela própria mão de algum Deus o Homem que era.
dos dentes nascidos dos seixos e das mãos nascidas do firmamento, pelos poros fartos de suor gritavam, em êxtase, os sinais da revelação. Homem que desde a eternidade se estendia ao grão mais minúsculo de pó!
descendo da montanha se fez a si, sem ter se procurado. a serpente o reconheceu, o chacal o saudou, a águia o nomeou...
e em mil arraiais perdidos perambulando solitário, abrindo sendas, tinha o poder da transmutação aprendido com os alquimistas que não mais existiam e que viviam dentro de si. e à imitação do cacto só sabia ferir os que chegavam...
e no caminho encontrava sua casa de taipa e sapê, leito raso com travesseiro de palha: o dormir ali já produzia sonhos emaranhados como os cabelos de quem havia amado uma vez... encontrar-se divagando em um dia, à noite, solto em um mundo sem cercas e tapumes!
mais adiante, sentou-se à porta do fundo da tapera. mirava o sol, com a mão em concha sobre os olhos. o sol a sua frente serpenteava, e subitamente começou a tomar formas humanas. aos poucos vinha um corpo alado descendo suavemente em sua direção e o cheiro de pó se dissipava substituído pelo de mirra. as árvores retorcidas contorciam-se em uma dança elegante e lenta.
o anunciante portava espada em uma mão e uma trombeta em outra e mirava nos olhos do Homem. dizia que era a primeira visita, a primeira e haveriam mais duas: os cabelos ardentes esvoaçavam e não se sabia se havia sexo. a voz soava na mente e retrocedendo voltou ao sol, sempre mirando nos olhos...
sumindo o anunciante, se foi o Homem pelos montes caminhando e em uma noite se lembrou. carregava um trombeta que fez soar avisando ao povoado que chegava.
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