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terça-feira, 8 de janeiro de 2013

sabe a ácido

dançam nas palmas das minhas mãos os reflexos das estrelas do teto do teu quarto. deitados olhamos uma eternidade artificial com copos de vinho merlot equilibrados em cima de livros velhos...
"vamos parar por aqui... é tarde."
lembro de escuridões por onde transitei e de coisas que não queria ter feito pra hoje ser mais perfeito pra você. é inevitável viver e não quero me arrepender de você.
o asfalto acaba passando, além de sobre a rua, por cima do coração. encerra em algum lugar muito profundo uma idéia de quem se poderia ter sido.
os co(r)pos de plástico pelo chão. as carteiras de cigarro vazias pelos cantos. as garrafas de conhaque barato. os energéticos desnecessários e os beijos dentro das bolsas, com gosto de um centavo - metálicos, descartáveis. tudo o que os meus livros velhos e manchados de vinho disseram pra eu não querer... foi inevitável: vivi.
a cidade faz olvidar, inclusive do que não se quer.
livros não têm o mesmo gosto do que se proíbe.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

não olharão você nos olhos, nem peguntarão se está bem. não darão as mãos, nem oferecerão auxílio.
não chamarão você pelo nome e nem ao menos se interessarão pela sua família.
você nasceu nesse mundo. que corre contra uma invenção chamada tempo, com seres imaginários chamados deuses, com ideologias mofadas chamadas morais.
quando criança você foi inocente para saber ser feliz.
hoje, você busca a felicidade em uma festa, em uma bebida e no dinheiro.
tudo que normalmente não se dá no quotidiano, se dá em festas e afins.
olhares: jamais. dar a mão: nunca. no entanto, em nome da liberdade damos beijos voluptuosos, damos nossos corpos, damos nossas palavras de falso carinho e sorrisos ensaiados.
nossa sociedade e nosso corpo em simbiose perfeita!
ruim? bom? quem julga aquele que se porta como queremos que ele se porte?
você se tornou tão imparcial que isso já se tornou partidarismo.
não notamos o que fazemos... não notamos a quem fazemos!
e quando um dia a espiral acaba, e é o fim, o que foi feito de você, que correu e fez o que disseram?
e quando

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Aviso aos Navegantes - II

escrever sem romantismo, sem melodramas: estava aí o meu objetivo. sim, essa postagem é, em termos, "autobiográfica". quando me propus a reinventar meu catálogo temático excluí, de pronto, a idéia persistente de escrever sobre amor, paixão, desencontro, histórias que envolviam sentimentos (um pouco) mais profundos.
hoje, mais de um ano depois, reconheço o meu fracasso. logo desandou tudo o que me propus. escrevi, e está lá registrado e publicado, linhas sobre o que não deveria ter escrito.
mas... como não haveria de escrever se foi exatamente isso que vivi?
minha experiência 'literária' é intrínseca ao que vivo, logo escrevi tudo. tudo...
ou seja, uma puta merda!
continuarei nessa trilha, agora sem mais proposições impossíveis.
mas faço a ressalva de que não são todas as postagens que revelam vivências. algumas, apenas.
e é isso!

terça-feira, 23 de agosto de 2011

sinto

é mais fácil não sentir nada.
é simples, fácil, limpo.
só que eu não sei ser assim.
eu sinto.
e isso é porque vivo. não tenho vergonha em admitir. não tenho porque não admitir.
dizer que sinto, e muito, é confessar que sou humano.
que a palavra me dita grosseiramente me dói quando vem de quem eu não queria a ouvir assim.
é dizer que dói gostar e não ser correspondido.
é admitir que sou de carne e não de ferro.
não sentir seria mais fácil. mas sinto muito, sou só humano ainda.
não fui feito pra insipidez. prefiro o tempero.
posso crer que as pessoas não sejam lá grande coisa... mas quem disse que sou muito diferente?
e, de mais a mais, por mais que creia nisso, ainda prefiro amá-las. ser ou não correspondido é um detalhe. o amor sempre foi um sentimento solitário (como, aliás, são todos os demais...).
por isso sinto: porque sou humano.
não sentir é mais fácil e eu prefiro o mais difícil.
sinto muito...

terça-feira, 19 de julho de 2011

uma dosagem muito alta de qualquer produto pode intoxicar.
uma dosagem alta de químicos pode me matar antes de consumir minha consciência que ainda está em você.
eu havia dado todas as pistas de que o hedonismo era nossa saída.
ou você acha que nos apaixonaríamos?
prazer! prazer. prazer...
era pra ser apenas música pop e quisemos que se transformasse em erudita. impossível! impossível!
desde quando a luxúria se traveste em amor?
a química do prazer nos intoxicou e nos fez crer possível esse sentimento.
ahh que tristeza. mas sei que isso é abstinência, como se estivesse em desdrogadição.
nos cheiramos? nos fumamos? nos bebemos... nos comemos... nos mastigamos...
no fim sobra a dor da mordida, a dor do hedonismo.
o vão da crença e a alegria da liberdade.

terça-feira, 24 de maio de 2011

cidades desertas

querido,

e se for tudo agora? nada depois. cada segundo do que fazemos, cada verdade que aceitamos, forçadamente ou não. cada mágoa e ferimento que deixamos no outro, se só isso você deixar? e se for só isso?
a vida como uma música eterna, um riff eterno de guitarra, uma ária sem fim, épica, romântica, dramática. tudo agora.
será que valeria a pena não se arriscar em caminhos incertos? e toda a energia desperdiçada em repressar rios, em conter lágrimas, em desviar de dores... tudo em vão?
não seria adequado encher os copos até a borda e fazê-los trans-bordar? rebentar as repressas? soltar os risos.
em respeito ao universo que há em nós, em defesa dos átomos que participaram do Big Bang, explodir de emoção deveria ser a regra. a energia do Cosmos habita na batida de nossos corações, desliza em nossas peles, faz brilhar meus olhos quando digo o teu nome.
me deixe explodir de amor por você. será só nessa vida, porque é só essa que temos pra nos amar imensuravelmente. não há outro universo, não há outra vida e não há muito tempo...
nem que seja por um bilionésimo de segundo, ainda assim seria amor. uma noite, um dia, uma hora... estaria gravado na eternidade do tempo, em todas as direções do espaço, em todos os outros beijos que eu desse - em mim.
...
temos pouco tempo pra nos ver. a cidade não nos deixa amar por muito tempo. estamos sempre correndo em direções opostas, tentando segurar as mãos um do outro e o que conseguimos é um mero toque...
acho que nossa intenção é boa: gostaríamos de um amor, no entanto o máximo que conseguimos é um beijo e um 'até logo'.
estamos ocupados demais conosco mesmo. nos amamos muito pouco ainda pra poder compartilhar algo que precisa sair de nossos corações vazios.
o que podemos fazer? somos apenas e muito humanos.
desprovidos de deuses.
desprovidos de crenças.
desprovidos de nós mesmos.
dançamos uma longa dança com nossa sombra.
...
me deixe amar por mais um segundo. logo terei que ir.
mas agora (e ainda) é amor.

terça-feira, 29 de março de 2011

ponto 1

queria ser exatamente cartesiano. extremamente angular. fazer o que me propus e arrancar tudo do fundo da alma. você e todos os outros que determinei não mais me interessarem.
um dia conseguirei.
algum dia, mas hoje só quero sentir e não tenho medo de dizer que gostar é um sentimento amorfo...

domingo, 31 de outubro de 2010

Aviso aos navegantes - I

o autor desse blog teve um surto psicótico em uma noite de insônia, ou uma epifania, como dizem os ilustrados.
deletou os 100 e tantos arquivos anteriores aos dois últimos e começou a escrever somente bobagens.
na realidade ele começou a ler o blog desde o início e viu que tudo era uma grande merda (assim como o deus cristão depois que terminou de criar o mundo!) e simplesmente deletou, mudou o layout, os temas, o vocabulário etc para que ficasse mais fidedigno ao pensamento por ele veiculado somente por meio de palavras.
portanto, adverte-se desde já, que o autor não se responsabilizará por leituras ignóbeis, palavreado chulo, xingamentos à xiitas discordantes da opinião da maioria, tomadas radicais de posicionamentos (um verdadeiro kamasutra opinativo) e congêneres da rudeza e boçalidade.
ademais já deletou-se todos os posts anteriores do blog, tendo os mesmos sido salvos em um CD que será devidamente atirado da janela de um trem em alta velocidade ao passar por uma ponte (ou dado de brinde ao melhor dançarino de funk - já que eles não leem mesmo...). ou seja, é tarde pra se chorar sobre o leite derrado, ou como DIRIA o autor, sobre a porra ejaculada.